6.4.07

tudo muda

democráticos
sentada numa cadeira velha de madeira, começou a rabiscar letras invisíveis no chão. a música toca alto dentro do salão, casais giram no piso de tacos já bem gastos de tanto história. ela olha pela janela, lá fora antes existia uma fábrica abandonada, agora só a promessa de um condomínio moderno. sentiu a exaustão cair nos seus ombros. estava cansada. a demolição da fábrica abandonada dando lugar aos jardins planejados e estande modernoso acentuava sua melancolia, pois simbolizava tudo aquilo que sentia, a frustração com essa busca atual pela esterilidade e organização prática que para ela estavam bem distantes do charme do estranho, antigo, do não convencional, que ela buscava.

ela estava cansada de tudo que era novo, cansada de ter que ser qualquer coisa. cansada de conhecer gente nova, para logo depois encontrar nelas o mesmo mofo que já conhecia, mofo do desinteresse, mofo da falta de criatividade, de espontaneidade. hum! mas sabia que estava resmungando e estava cansada também de resmungar, então parou.

olhou para trás. naquele salão tanta coisa lhe tinha acontecido, amores que caíram como raios, ciúmes e desentendimentos gigantescos com amores mal resolvidos, beijos incríveis em gringos deliciosos - daqueles de causar inveja, frios na barriga inesperados, grandes manifestações de carinho, tanta euforia e paixão. ah! sabia que o ar ali era mágico, com apenas 3 cervejas ela entrava num estado de forte embriaguez, incomum para ela que por ter se acostumado a beber desde cedo, demorava a cair. era aquele tipo de embriaguez boa, típica dos carnavais, onde prevalecia a euforia e a desinibição - talvez um pouco ridícula mas sempre generosa.

sentiu saudades dessa época onde tudo parecia novo e interessante, e aquele lugar um templo de possibilidades. agora não sentia nada disso.... o encanto do descobrimento não existia mais. no banheiro, se olhou no espelho e se viu cínica. sua testa franzia involuntariamente, enfeiando-a. se detestou, quis deixar as frustrações para trás mas não conseguiu.

foi buscar mais uma cerveja.

29.1.07

domingo

tens que tomar muito cuidado minha cara
malabarismos de amigos é coisa grave
você se safa com muito charme e olhos tristes
mas um dia tudo acaba vindo à tona
e aí,
ah e aí...